"De quando e de onde são estas marés, este luar que brilha no mar, esta areia que fica marcada pelas pegadas de um homem banhado? De quando e de onde são estas rotas de navegação, estas palhotas à sombra de árvores equatoriais, estas lendas de feras antropomorfizadas?"

"Aproprio-me sem nenhum decoro das palavras de Gonçalo Cadilhe no prefácio destas "Deambulações" de Bruno Garrudo, sem nenhuma dúvida o mais sensível, intrigante e fascinante livro de surf já lançado em Portugal.

Recolha das viagens que o multifacetado artista Bruno "Stuck" Garrudo empreendeu pelo mundo ao longo de um período de tempo indefinido, tal como indefinidos são os lugares e as histórias que aqui se evocam. O autor não irá partilhar essa informação. Não faz parte do seu ethos. O mundo é para ser descoberto e não desvendado, parece dizer-nos quando nos exibe estas fotos e narra os seus relatos com o cuidado de nos encantar tanto pela sedução do que escolhe revelar quanto pelo mistério do que decide manter oculto.

Stuck viaja sozinho para sítios onde é o único surfista. Esse facto, por si só, está na origem da sua singularidade no mundo editorial dedicado ao surf: "Deambulações" deve ser o único livro de viagens de surf em que não aparece um único surfista nas ondas. Vemos line-ups maravilhosos, ora em primeiro plano, ora como mero detalhe da paisagem, vemos pranchas de natureza variada, vemos gente a transportar pranchas, mas nunca vemos estabelecida a relação homem-prancha-onda que materializa aquilo que entendemos como surf. E, no entanto, como negar que "Deambulações" é um livro de surf? Mais: como negar que seja um dos mais puros livros de surf já publicados?

Meticulosamente organizado – a edição de imagens é de um rigor cirúrgico – com sete curtas histórias a entremear páginas seguidas de fotografias sem qualquer tipo de legenda mas contendo uma eloquência digna de um poeta, o autor convida-nos a participar do seu mundo sem os julgamentos ou as pré-noções que a contextualização excessiva acarretaria. Somos observadores passivos daquele mundo, que apreendemos mas que não conseguimos aprisionar. Surfamos mentalmente aquelas ondas, sentimos o toque da água, a curiosidade dos nativos, a simbiótica relação com os habitantes daquelas terras indesvendáveis. E então percebemos: o surf aqui manifesta-se através do próprio livro. É ele o vínculo que permite a materialização que não vemos explícita mas que intuímos a cada virar de folha.

Volto ao primeiro parágrafo para o corrigir: "Deambulações", de Bruno Garrudo, é o mais sensível, intrigante e fascinante livro de surf já lançado. Aqui ou em qualquer lugar. Uma vénia ao seu autor."

João Valente, in Surf Portugal

stuckphotography@hotmail.com
+351 914 561 809

"Deixei tudo para trás. Era pouco, ou, quem sabe, nada. Talvez nada deixei e para não me enganar a mim mesmo será melhor afirmar que trouxe tudo. Trouxe as memórias de uma vida passada no mar. Trouxe a prancha. Trouxe o sonho."

Bruno Garrudo, in Deambulações

"... estas viagens aparecem envolvidas numa bruma mítica e ocultadora. Não têm tempo nem espaço definido, não pertencem a uma época ou geografia delimitada. São viagens que vão acontecendo nesse grão de areia perdido no infinito a que nós chamamos Terra..."

Gonçalo Cadilhe, in prefácio

"Diz o dicionário que deambular é sinónimo de passear ou andar despretensiosamente. O autor faz isso com uma forte veia artística e sentimental, a partir de um olhar fotográfico apurado e textos pontuados com reflexões poéticas, abordando a experiência de buscar ondas virgens nos recantos mais isolados do planeta."

Jair Bortoleto, in The Surfer's Journal Brasil

"A edição mais importante que já houve no campo editorial relacionado com o surf em Portugal."

João Valente, in SAL Film Festival

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